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O Miguel Cocco é licenciado em psicologia e hipnoterapeuta. É especialista em ajudar pessoas através dos maravilhosos processos da hipnose. Escreveu o livro “Mude a Sua Vida com a Auto-Hipnose”, cuja leitura recomendo! Tem uma ampla experiência clínica, a que alia um número considerável de cursos e workshops onde ensina as suas técnicas. Tem tido um papel fundamental na desmitificação da arte da hipnose e da sua partilha em formatos facilmente utilizáveis por quem se decide a aprender, como a auto-hipnose.

Podes seguir o trabalho do Miguel através do seu site de Hipnose Clínica, da sua página no facebook, da página do Instituto de Hipnoterapia. Podes pedir informações diretamente ao Miguel através deste email.

TMC: Miguel, o que é hipnose e como pode ser útil num processo de desenvolvimento pessoal?

Miguel: A hipnose é um estado modificado de consciência. Todos nós passamos por essa mudança de estado ao longo do dia, desde que acordamos de manhã até irmos dormir à noite. Umas alturas estamos mais atentos aos nossos pensamentos, outras até damos por nós, mais tarde a dar conta de que estivemos num ‘modo’ automático o dia todo, como se houvesse uma parte de nós que controlasse esse piloto automático.Já sentiu isso em algum dos seus dias? É a essa parte que chamo de “inconsciente” ou melhor, o reservatório onde estão guardadas todas as nossas experiências, os conhecimentos, memórias e toda a sabedoria do nosso corpo/mente. A hipnose é um estado onde podemos ter acesso directo a essa zona maravilhosa da nossa mente, é a chave que abre essa porta e que permite potenciar o nosso próprio desenvolvimento pessoal tendo um acesso privilegiado aos nossos recursos interiores não só através desse estado de transe hipnótico mas também da nossa imaginação, intuição, com o poder da mente inconsciente como nossa aliada.

TMC: Em que tipo de atividades é que a hipnose pode ser utilizada como complemento?

Miguel: Eu comecei a utilizar na Psicologia clínica e com a experiência dos anos com meus clientes e alunos, ao dar-me conta do potencial e da abrangência desta técnica , iniciei uma viagem fantástica ao transportar a hipnose para outras áreas, tais como o Coaching, a Pedagogia, a Gestão, o Desporto, as Artes e tantas outras.

E como fazê-lo? Foi logo o meu primeiro desafio. Como vou ensinar hipnose a pessoas de outras áreas? E foi em resposta a esta pergunta, que comecei a interessar-me seriamente pela hipnose conversacional e principalmente pelos princípios que fazem com que a hipnose funcione.

TMC: Com a tua experiência na utilização da hipnose em contexto terapêutico, quais acreditas serem os benefícios mais fortes que promove nos teus clientes?

Miguel: Como terapeuta uma das minhas prioridades é levar cada cliente em direção ao seu pedido, ao seu objectivo mas com a maior autonomia possível. Se há uma razão para eles me procurarem então, devo ajudá-los a encontrar uma razão ainda maior para deixarem de vir. Dessa forma o ensino da auto-hipnose é um dos grandes trunfos que temos porque não só ajuda o cliente a entrar em transe como também ensina-o a fazê-lo por si mesmo, usufruindo assim de todos benefícios da hipnose. Benefícios como parar a mente, mergulhar no nosso interior, percorrer as nossas crenças, as nossas emoções e fazendo as alterações necessárias, as substituições saudáveis e encontrando as melhores soluções para os nosso desafios, quer sejam, querer parar de fumar, emagrecer e eliminar peso, potenciar a nossa confiança, aumentar a auto estima com também trabalhar outros assuntos.

TMC: Sei que te interessas muito pelas aplicações conversacionais da hipnose. Em que tipo de situações é que esta abordagem se torna útil?

Miguel: Realmente é verdade, os princípios da hipnose permitem que a hipnose seja utilizada nas conversas, tornando-as mais hipnóticas , mais influentes, mais significativas e com um maior alcance, quer seja na mensagem como na forma como comunicamos.

Sou suspeito, pois tenho encontrado em toda a comunicação lugar para sermos mais hipnóticos. Por exemplo como pai/mãe temos uma grande vantagem quando conhecemos os princípios da hipnose conversacional ao transmitirmos os nossos valores e as nossas ideias sem criar resistências aos nosso filhos, algo que se torna mais desafiante na adolescência., como alguns de vocês sabem tão bem.

Mas também ao querer transmitir a nossa opinião a nossa forma de ver o mundo, quer seja nos nossos relacionamentos como também nas nossas profissões. Já tive alunos desde advogados, terapeutas, desportistas, professores até músicos que têm com sabedoria integrado estes princípios e técnicas nas suas profissões com muito sucesso.

TMC: Escreveste um livro sobre auto-hipnose. Quem achas que pode praticar auto-hipnose e que tipo de treino é necessário para o conseguir fazer?

Miguel: Este livro foi escrito depois de ter escrito as 100 perguntas mais frequentes que me faziam em consultório ou sempre que o tema hipnose surgia. Depois percebi que seria mais interessante responder ao grande público essas dúvidas ao mesmo tempo que podia ensinar a fazer auto-hipnose e assim poderiam experimentar por eles próprios a sensação fantástica de estar em transe. Todos nós já fazemos auto-hipnose mesmo aquelas pessoas que provavelmente ao ler isto dizem para elas que não faço. É exatamente essa voz interior que fala connosco através dos nosso pensamentos, da nossa imaginação. Todos nós já nos hipnotizamos e desde muito novos que o fazemos. O que é um facto é que quando éramos crianças sonhávamos e parecia que não havia limites para as nossas potencialidades, mas os anos foram passando não foram? E parece que algo mudou, tornámo-nos adultos. Uns de nós mais rígidos, outros deixaram de acreditar. A Auto-hipnose é uma técnica que permite voltar a ter acesso a esse poder sem limites, só que dirigido, com foco. Estrategicamente direcionado para aquilo que queremos, ou melhor para aquilo que merecemos de forma saudável, realçando as nossas qualidades e transformando-nos numa versão melhor de nós próprios.

TMC: Para terminar, é mais difícil colocar as pessoas em transe ou tirá-las do transe do dia-a-dia em que muitas se encontram?

Miguel: É isso mesmo, pergunta difícil! Diria o melhor é ajudá-las a dirigirem- se para o transe que é mais benéfico para elas e que serve na realidade os seus valores e seus objetivos. Às vezes é necessário tirá-las do transe para poder depois devidamente hipnotizá-las!

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