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The Miracle Coach

Mês

Abril 2016

Inês Moura – Coach Vocal

Inês Moura

A Inês Moura é terapeuta de fala e coach. Com recurso a estas duas abordagens construiu uma forma única de ajudar pessoas a comunicarem com eficiência e a sentirem-se melhor consigo próprias. Como coach vocal facilita processos para que os seus clientes se encontrem, literal e metaforicamente, com a sua voz! Uma entrevista inspiradora e surpreendente!

Para saberes mais sobre a Inês e o seu trabalho, visita o seu website, a sua página do Linkedin e do Facebook.

 

TMC: Inês, criaste uma excelente fusão entre a terapia da fala e o coaching. Como pode o coaching suportar esta terapia?

Inês: O coaching, no meu ponto de vista, complementa a terapia da fala em duas vertentes. A primeira vertente é a transformação da relação terapêutica – o relacionamento entre o profissional e aquele(s) que procuram apoio num determinado período da sua vida (desde a infância até à idade adulta). Essa relação é tão ou mais importante do que as técnicas terapêuticas utilizadas. A flexibilidade dada pelo coaching em orientar a terapêutica ao futuro, de colocar o cliente num estado de maiores recursos interiores e de partilhar responsabilidades no processo terapêutico, torna-a uma abordagem potencialmente mais eficaz, principalmente com adultos que procuram a terapia da fala como uma forma de desenvolvimento pessoal e profissional.

A segunda vertente está relacionada com a natureza da avaliação inicial que procura explorar mais o Presente e o Futuro, do que o historial clínico. O desenrolar do plano de intervenção é também mais flexível quanto mais o cliente participa e decide o seu próprio caminho.

 

TMC: Como especialista na utilização da voz na comunicação, quais são as estratégias fundamentais que partilhas com os teus clientes?

Inês: Existem três estratégias que estão na base do processo de coaching vocal.

A primeira que utilizo é levar o cliente a uma introspeção sobre o funcionamento do seu corpo e das suas emoções. A questão a trabalhar pode ser fisiológica (ex. músculos da voz podem estar em fadiga), emocional (ex. sinto que não tenho voz na minha organização) ou uma combinação de ambos.

A segunda estratégia que mais utilizo é analisar os pontos fortes. Como muitas pessoas referem não gostar da sua voz, é fácil apontar os seus defeitos. Mas quando se aponta também o que já funciona, é um excelente ponto de partida para o cliente encontrar a sua marca vocal, e resta apenas reduzir o que está em desequilíbrio/excesso.

A terceira estratégia é aproveitar pequenos momentos do dia, tendo em conta as rotinas já existentes, como tomar banho, conduzir ou falar numa reunião, onde discretamente se pode colocar em prática exercícios vocais simples. O objetivo é a automatização de novos hábitos e, quando se dá conta, já é natural.

 

TMC: O que podemos fazer para transformar a nossa voz num aliado?

Inês: É muito importante lembrar que a nossa voz funciona como uma “intérprete” do que se passa connosco a vários níveis. Podemos torná-la num aliado quando a sabemos interpretar e escutar. O que significa ter a voz rouca já há muito tempo? O que significa estar sempre a gritar com o(a) companheiro(a)? O que significa ficar sem voz numa altura de stress? O que significa não conseguir transmitir energia à minha equipa? São tudo questões que transportam respostas muito válidas e, como tal, um problema de voz, raramente é só da voz. Saber ouvi-la é a chave.

 

TMC: Utilizam-se muitas expressões relacionadas com a voz, como “levantar a voz”, “falar a uma só voz”, “encontrar a nossa voz”. Afinal, qual é a real importância da voz na nossa vida mental e emocional?

Inês: A voz é um veículo direto de emoções e de significados na comunicação. Podemos dizer a frase “e então?” com pelo menos 23 emoções diferentes e cada uma delas transporta um significado. A voz acompanha-nos toda a vida. Aliás é o primeiro sinal de vida quando um bebé nasce. É através dos primeiros sons que comunicamos com os nossos pais, ainda antes de dizermos palavras. Os bebés acalmam-se a ouvir a voz da mãe (que já ouviam no útero). A voz é uma forma de arte, por exemplo no teatro e no canto. Há séculos que a concentração e meditação é feita através da voz (ex. mantras) e também é através da voz que nos afirmamos no mundo, deixamos a nossa marca no dia-a-dia, junto da nossa família, no nosso trabalho e em toda a parte onde nos conhecem.

 

TMC: Colaboras com uma importante agência de treino em comunicação. Quais são as mais habituais dificuldades que as pessoas têm quando se trata de comunicar com eficiência?

Inês: A maior dificuldade é a falta de variedade vocal. A maior parte dos líderes/CEO’s com quem trabalho referem, por exemplo, ter uma voz monocórdica, de falarem demasiado rápido ou de sentirem que são aborrecidos quando falam em público. Se a voz não estiver adequada ao contexto (ex. reuniões, apresentações, congressos, televisão) a mensagem global não é recebida e o mais provável é que a audiência se esqueça do que foi dito logo nos minutos seguintes. Isto leva a que desperdicem oportunidades de levar os outros à ação através da comunicação.

Outra dificuldade muito comum é a falta de projeção vocal e/ou esforço contínuo que leva a períodos de cansaço e desgaste, principalmente de quem usa a voz com elevada intensidade e frequência, como profissionais que fazem espetáculos semanais, orientam formações ou aulas.

 

TMC: O que observas que acontece, de uma forma geral, na vida dos teus clientes quando aprendem a comunicar melhor?

Inês: Sentem maior confiança em si próprios, maior assertividade na relação com o outro e maior serenidade com a sua própria forma de ser e de comunicar. Mais consciência de como gerir os fatores internos e externos que condicionam o desempenho da sua própria comunicação. Por último, um dos fatores que considero mais importantes é a melhoria do diálogo interno, ou seja, a forma como a pessoa se relaciona consigo mesma.

 

Susana Torres – Coach

Susana Torres

A Susana Torres é coach, especializada na área desportiva. Com uma sólida carreira na banca, dedicou-se ao estudo do desenvolvimento pessoal e lançou-se num mundo dominado pela presença de homens: o futebol! Nesta entrevista, a Susana partilha preciosas aprendizagens que nos podem ser muito úteis a todos, afinal de contas todos podemos beneficiar de uma certa mentalidade desportiva nas nossas várias atividades! A Susana está prestes a lançar um site dedicado ao coaching desportivo, pelo que sugiro que te mantenhas atento a www.primelinecoaching.com.

 

TMC: Susana, como é que uma mulher ganha rapidamente espaço num mundo de homens, como o do futebol?

Susana: Tudo aconteceu por acaso e com um jogador de futebol. Este jogador, que na altura colocava em causa a sua carreira desportiva, comentou comigo o seu sonho de criança e acabámos por lançar um desafio um ao outro: Ele transformava o seu sonho num objetivo a seis meses, e eu dar-lhe ia todas as ferramentas que possuía para o ajudar a conquistar esse objetivo.

Foram seis meses de trabalho intensivo, onde eu aprendi bastante sobre futebol e que no fim tiveram o resultado esperado, o jogador rumou a uma das ligas mais exigentes do mundo!.

(Esta é uma história que em breve será contada em livro, pelo que prefiro não me alongar muito sobre ela….)

Depois deste trabalho e perante estes resultados, não foi difícil haver outros jogadores a querer fazer o mesmo e equipas a solicitar este tipo de acompanhamento para alcançar os seus resultados.

 

TMC: Quais são, na tua opinião, as especificidades do coaching desportivo e que diferenciam do coaching de vida?

Susana: O coaching desportivo está muito ligado aos objetivos e consequentemente aos resultados. Talvez por isso tenha uma dinâmica diferente.

Um atleta procura normalmente melhorar a performance desportiva e obter melhores resultados, razão pela qual a forma como os conteúdos são abordados possuem um cariz muito prático.

A base de trabalho é essencialmente a mesma do coaching de vida, no entanto procuro adoptar metodologias especificas que visam a alta performance. São exemplo dessas metodologias as ferramentas que nos proporciona o novo código da PNL (Programação Neurolinguística), por serem práticas e altamente transformadoras.

No coaching desportivo, o foco são os resultados que o atleta pretende alcançar, e é aí que colocamos toda a nossa atenção.

Quando trabalho equipas este trabalho torna-se mais complexo, uma vez que é fundamental envolver não só os atletas como a respetiva equipa técnica.

 

TMC: Tens trabalhado com atletas, treinadores e equipas. Quais são as principais aprendizagens?

Susana: A minha experiência tem sido desenvolvida em grande parte no mundo do futebol, que é um mundo bastante fechado e com características muito específicas.

Existe um grande e complexo sistema de crenças com o qual todos os intervenientes lidam constantemente, sendo que o simples facto de questionarmos essas mesmas crenças já constitui por si só um factor de transformação de atitudes e comportamentos, promovendo grande impacto nos resultados.

Por exemplo, é frequente ouvir treinadores e jogadores dizerem “estamos a viver uma fase menos boa e precisamos de uma vitória para a equipa voltar a ganhar confiança”. Eu costumo brincar cada vez que ouço este tipo de afirmação, digo-lhes “isto significa que vamos ter que “morrer” em campo para garantir uma vitória, e no fim do jogo vamos para o balneário confiantes. O que dará muito jeito depois do jogo”! A confiança é algo que precisamos e que nos ajuda a obter uma melhor performance, sendo por isso fundamental aprender a aceder a este recurso antes de entrar em campo e não depois!

Verifico com frequência que o sucesso de um jogador de futebol não tem a ver apenas com as suas qualidades técnicas ou tácticas, tem muito a ver também com a forma como este lida com a adversidade, frustração, desmotivação, ausência de resultados, e como ele se consegue manter firme naquilo em que acredita e nos seus objetivos.

Existem atletas de enorme talento que nunca conseguiram alcançar grandes patamares na sua carreira, bem como atletas de menor talento que não tiram o foco dos seus objetivos e que trabalham arduamente para os conseguir alcançar. A grande característica destes é a persistência, estes nunca desistem.

Trabalho com um atleta que um dia me disse que “as pessoas podem desistir de mim, mas há uma que eu sei que nunca vai desistir… Eu próprio”!

 

TMC: Existe resistência a este tipo de abordagem, Susana? Como é que o papel do coach é visto pelos vários intervenientes no mundo desportivo?

Susana: Existe algum desconhecimento sobre o trabalho de um coach, alguma tendência para confundir um coach com um psicólogo.

O meu papel junto dos atletas visa o desenvolvimento da sua performance desportiva, trabalhamos a excelência, o objetivo é que um atleta seja capaz de aceder a todos os seus recursos internos de forma a conseguir obter o melhor desempenho possível a cada momento. Assim, existe sempre alguma resistência que é rapidamente convertida em curiosidade.

Na verdade, qualquer tipo de resistência desaparece, no momento em que o atleta ou equipa começa a alcançar e perceber os resultados.

No caso do trabalho individual, não se verifica qualquer resistência, pois é o atleta que procura normalmente este tipo de trabalho e acompanhamento, sendo o nível de compromisso extremamente elevado.

No futebol, dá-se bastante importância ao trabalho técnico e táctico, sendo a componente física aquela que absorve quase toda a atenção. No entanto, num contexto de alta competição, é toda a componente mental que vai fazer a grande diferença.

A forma como uma equipa lida com os diversos momentos do jogo, pode ditar a vitória ou a derrota, e isto, é algo que se consegue com uma boa preparação mental da equipa antes do jogo.

 

TMC: Com base na tua experiência, o que acreditas serem as bases de uma boa preparação mental para um atleta ou equipa?

Susana: Diria que são quatro coisas. Em primeiro lugar, é fundamental que um atleta faça um percurso de “olhar para dentro” e conhecer-se a si próprio, bem como a forma como interage com o mundo á sua volta. Antes de partir para algum lado, definir algum objetivo, é fundamental perceber “onde estamos”.

Depois, os objetivos. Os objetivos são aquilo que em coaching chamamos o “ponto B”, devem estar sempre presentes, quer a nível individual quer a nível de equipa. Um atleta deve ter bem presente o sitio onde quer estar daqui a um determinado tempo, sendo para isto fundamental efetuar um planeamento da carreira e consequentemente os passos (metas) para lá chegar.

As equipas também precisam de objetivos bem definidos. Querer ganhar não é suficiente, uma vez que, este não é um objetivo específico ou de grande impacto. Ainda não conheci nenhuma equipa a entrar num jogo com o objetivo de perder… A experiência diz-me que é mais eficaz trabalhar com objetivos específicos, por exemplo, querer ganhar por 4-0.

Fui solicitada para ajudar uma equipa da primeira divisão portuguesa de futebol a preparar o ultimo jogo da época, era um jogo difícil pois a equipa não ganhava há vários jogos, e o empate dava acesso direto à fase de grupos da liga Europa. Depois de uma semana intensa de trabalho com esta equipa, o objetivo estabelecido foi o de ganhar 4-0, um objetivo bastante ambicioso tendo em conta o histórico recente de resultados, que foi ainda assim assumido por toda a equipa. No final do jogo, o marcador mostrava o resultado, 5-0!!

Em terceiro lugar, temos a confiança. Esta é uma das questões mais faladas no mundo do futebol, à qual se atribui uma grande importância. É importante perceber que a confiança é um estado ao qual o atleta acede, ou não. Uma das soluções é colocar a atenção nas coisas que controlamos, eventualmente ter atenção àquelas que podemos influenciar… considero que colocar a atenção nas coisas que não controlamos é o caminho para a ausência de confiança.

E, por último, temos a concentração e foco. É tão importante estar atento, como saber colocar a atenção no sitio certo! Algo que me dizem regularmente é que o jogo foi bem preparado, a equipa sabia o que tinha que fazer, entrou em campo preparada, e depois as coisas não aconteceram… perderam a concentração e eficácia. Na verdade, uma vez em campo, existem uma série de factores que podem influenciar a concentração e o foco, o desafio para o jogador é saber onde colocar a atenção a cada momento e como “desligar” de todos os elementos que não promovem a melhor performance.

Existem jogadores que se preocupam com o estado do tempo antes de um jogo, ou com as condições do relvado, sendo normalmente este um motivo de conversa entre jogadores. Estas são coisas que não controlamos, são o que são e não as conseguimos alterar, logo, é fundamental transferir a nossa atenção para coisas que possamos controlar considerando as condicionantes existentes. Não são as condições do relvado que serão o problema, o problema será a forma como entendemos que esse aspecto influencia a nossa performance ou a performance da equipa.

 

TMC: O que é que todos podemos aprender com o coaching desportivo? Como é que podemos usar mentalidade de atleta para gerar melhores resultados na nossa vida?

Susana: Existem pelo menos três coisas sobre as quais podemos refletir e transportar para as nossas experiências de vida:

O espírito de equipa: um atleta sabe que não ganha sozinho, por muito bom que o atleta seja, é o desempenho da equipa que se vai traduzir em resultados. Mesmo nos desportos individuais, existe uma equipa que prepara e treina o atleta, a interação entre o atleta e a equipa tem um impacto gigante no seu desempenho.

A Paixão: um atleta vive muitas vezes a profissão que sempre sonhou, faz aquilo que o apaixona e realiza. Como seriam as nossas empresas se fosse possível colocar a componente “paixão” no desempenho dos seus colaboradores?

Também acompanho empresas e seus empresários (coaching empresarial) e esta é uma das questões que trabalhamos com as equipas. Descobrir o que nos apaixona naquilo que fazemos, é uma excelente forma de atingir a alta performance em qualquer área da nossa vida.

O Compromisso: O atleta sabe bem qual o seu papel bem como a sua contribuição nos resultados da equipa. Verifico em algumas empresas, que as pessoas desconhecem o que se espera delas, qual o contributo que o seu trabalho tem nos resultados da empresa.

António Paraíso – Palestrante

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O António Paraíso é um reconhecido especialista nas áreas da venda e negociação, inovação e luxo. Nesta qualidade, além de professor na Porto Business School, colabora com muitas organizações, espalhadas um pouco por todo o mundo como palestrante, consultor e formador. Nesta entrevista, o António partilha um pouco do seu conhecimento sobre comunicação, aproveita! Para saberes mais sobre o seu trabalho, visita o seu site, o seu catálogo e segue o seu canal do Youtube.

 

TMC: António, como professor e palestrante, quais achas serem os factores fundamentais que ajudam a fazer uma comunicação eficiente?

António: De facto o meu trabalho implica comunicar todos os dias com diferentes tipos de públicos. Eu destacaria 3 factores que contribuem para uma comunicação eficiente e cativante: muito treino, domínio absoluto do tema a abordar e adequação da linguagem ao tipo de público que nos ouve.

 

TMC: Tens uma ampla experiência a trabalhar com públicos internacionais. Que tipo de adaptações são importantes quando estamos a comunicar com audiências de outras culturas?

António: Quando faço palestras fora de Portugal, faço-o sobretudo fora da Europa, onde eu sinto diferenças culturais bem mais vincadas.

Eu leio previamente sobre o país e sobre hábitos culturais do seu povo, estudo um pouco da história do país e procuro adaptar o melhor que eu puder e souber o meu discurso à cultura local. Faço uma ou duas referências à história do pais para criar ligação emocional com o público e evito ter graça e fazer comentários divertidos. O humor varia muito de cultura para cultura e há piadas que funcionam na Europa e não têm piada nenhuma na Ásia ou no Médio Oriente.

Já me aconteceu numa palestra em Singapura, as 300 pessoas da plateia não se rirem quando eu disse uma pequena piada que costumo usar na Europa, e depois se terem rido muito de um comentário que fiz que não era suposto ter piada.

 

TMC: Entre as tuas áreas de expertise estão as vendas, a negociação, a inovação e o luxo. Como desenvolveste conhecimentos nestas áreas?

António: Com muito estudo e experiência de trabalho no mercado.

Frequentei cursos de pós-graduação em marketing e inovação, comércio internacional e gestão de marcas de luxo. Trabalhei quase 20 anos como vendedor e diretor comercial no mercado internacional. Atualmente, há mais de 12 anos que faço consultoria, docência, formação de equipas e palestras em vendas, negociação, inovação e desenvolvimento de marca, em ambiente premium ou de consumo corrente.

 

TMC: Como é que conhecimentos e treino na área de vendas e negociação pode ajudar nas relações pessoais?

António: Vender é uma atividade que implica perceber qual o problema do cliente, sentir que temos a solução para esse problema e conversar com o cliente para o convencer que a nossa solução é a mais adequada para o problema dele.

É um processo que exige o desenvolvimento de competências técnicas, mas também de competências comportamentais, de desenvolvimento da relação pessoal com o cliente. Os clientes são pessoas, não são máquinas de meter moedas.

Negociar é trocar valor, é um constante “dar e receber”.

Mas assim também é a vida. Em família, com amigos.

Se tivermos experiência em desenvolver relacionamentos fortes com clientes e fornecedores, os ajudar a resolver problemas e se soubermos constantemente com eles trocar valor, essa experiência será valiosa seguramente para as nossas relações pessoais e sociais.

 

TMC: Lidaste na tua vida com momentos profissionais difíceis, altura em que decidiste lançar-te como profissional independente e com excelentes resultados. Quais as principais dificuldades e aprendizagens dessa transição?

António: Sim, eu conto esse episódio na minha palestra TEDx “O Poder da Proatividade”. Estive numa situação de desemprego de longa duração e decidi criar o meu próprio negócio, há 12 anos.

A principal dificuldade que senti e sinto é que quem trabalha sozinho e por conta própria, não tem horários de trabalho.

A principal aprendizagem é a de que o sucesso depende muito mais de mim do que eu imaginava. Depende do que eu faço, da forma como o faço e de como me relaciono com os outros.

E aprendi o quanto é importante ser diferente dos outros. Quando somos iguais aos outros, o mercado só nos compra se nós formos mais baratos e obriga-nos a baixar preço. Por isso tento sempre trabalhar de forma diferente e apresentar soluções diferentes aos meus clientes.

 

TMC: Os teus alunos destacam normalmente o dinamismo e boa disposição das tuas aulas e palestras. Qual é o segredo da tua jovialidade?

António: Gosto do meu trabalho!

João Delicado – Autor

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O João é coach, autor, inspirador, professor e… muitas outras coisas! Toca aqueles com que contacta com uma forma muito sua de convidar à paragem e à reflexão. E esta entrevista ao The Miracle Coach não é excepção. Que a sua leitura te permita fazer isso mesmo: ter uns minutos de reflexão, enquanto ficas a conhecer um pouco do João Delicado. Para saberes mais sobre o seu trabalho podes seguir o seu blogue Ver Para Além do Olhar, a sua página do facebook ou procurar o seu livro “Vale a Pena Pensar Nisso”.

TMC: João, o que é coaching para ti e de que formas utilizas o coaching nas tuas atividades?

João: O coaching, para mim, é pôr a criatividade ao serviço da vida. Eu sou um apaixonado por criatividade. Mas a criatividade desligada da vida não é criatividade, é só imaginação. Então vejo o coaching como a relação de acompanhamento em que, corajosamente, nos desafiamos a trazer os nossos sonhos à terra – para que ganhem raízes e se voltem a projetar para o céu, como os ramos das árvores. E isso exige, reclama, convoca o melhor de nós, o melhor dos nossos recursos internos, para sermos mais inteiros e mais capazes de atingir a melhor versão de nós mesmos.

Há quem sonhe dar a volta ao mundo, mergulhar até ao fundo do oceano, subir o Everest ou ir à lua. A mim isso não me diz nada se for só para fazer quilómetros por fora. Atrai-me muito se for para fazer quilómetros por dentro. Por isso o meu sonho, a minha vida, a minha energia tem sido direcionada para a exploração do mundo interior e para ajudar outros a fazer o mesmo.

Do contributo que o coaching trouxe para o meu trabalho, destacaria a sua dimensão prática que obriga a que sejamos concretos nos objetivos a alcançar e concretos a comprometer-nos com os meios necessários; e ainda a dimensão lúdica, que oferece flexibilidade e retira peso desnecessário ao processo. Einstein dizia que a criatividade é a inteligência a divertir-se! É nisso que o coaching tem inspirado a minha atividade profissional.

TMC: Estás envolvido numa série de projetos fascinantes, do workshop Wii ao Blogue Ver Para Além do Olhar ou ao livro Vale a Pena Pensar Nisto. O que têm em comum? E quais as suas particularidades?

João: A interioridade é o que congrega tudo o que eu faço. Tudo começou numa adolescência feita de imensa timidez e introversão. Nessa altura encontrei refúgio e descanso no mundo interior e nos meus diários, que me iniciaram no auto-conhecimento e no uso da preciosa ferramenta da escrita. Depois fiz caminho na religião e na espiritualidade, onde encontrei verdadeiros mestres que me abriram à transcendência e ao mundo da sabedoria. E, finalmente, cheguei ao fascinante território do desenvolvimento pessoal e do coaching. Em todo este caminho percebi que tudo isto encaixava e que podia dedicar cada minuto da minha vida a isto.

Quanto aos projetos em concreto: o blogue nasceu como uma continuidade natural dos meus diários da adolescência e juventude. Depois fui convidado para escrever para a Renascença e, depois, para a RFM. Já vou no sexto ano de colaboração, a escrever três textos por semana, o que dá… hmm.. é fazer as contas! O livro “Vale a pena pensar nisto” é um ‘best of’ dessas reflexões.

Há uns dois anos surpreendi-me ao constatar como este processo de maturação foi também tempo de gestação para um novo projeto que nasceu de parto natural: chamei-lhe Wii, ou seja, “Workshop de Introdução à Interioridade”. Entretanto já fiz oito edições e mais de cem pessoas passaram pela experiência. Houve frutos tão bons que tive de dar continuação a esse projeto e desenhei outro fim de semana, agora dedicado às Relações Humanas. E ainda um outro workshop, só para a Criatividade – para a salvar das garras da imaginação e trazê-la para o dia a dia.

TMC: Tiveste recentemente uma experiência com auxílio a refugiados que procuram entrar na Europa. Quais as principais aprendizagens?

João: Sim, estive na Sicília três semanas em voluntariado. Estava cansado das notícias e de me ver como parte do problema. Decidi ir conhecer aquelas pessoas, cara a cara.

A primeira coisa que aprendi, mesmo antes de partir, foi que o povo português tem uma generosidade tremenda: fiz um ‘friends-funding’ em que os donativos superaram em mais do dobro o dinheiro que precisava para suportar os gastos da experiência.

Depois, lá na Sicília, o mais importante foi a presença: estar com eles, brincar com eles, ouvir as suas histórias, receber a sua gratidão infinita por lhes salvarem a vida. É óbvio que eles são pessoas como nós. Outra coisa é experimentar isso na pele, em primeira mão: havia dois deles de quem me custou mais a despedir.

Guardo também uma surpresa, a puxar ao realismo, que foi sentir maiores dificuldades na relação com a equipa de voluntários do que com os refugiados. Uma verdadeira lição prática sobre relações humanas!

TMC: De que forma é que o Coaching e a Espiritualidade podem andar de mãos dadas, João?

 João: É uma ótima pergunta! Sinto-me um privilegiado porque faço ponte entre o melhor de dois mundos que, no fundo, vão dar ao mesmo objetivo: permitir a cada um atingir a sua melhor versão.

O Coaching e a Espiritualidade partem de lugares diferentes, mas sobem a mesma montanha. Então a vantagem que vejo é que posso combinar vocabulário, ferramentas e estratégias de um e do outro lado, e isso dá-me mais agilidade e mais capacidade de ajudar as pessoas, estejam de um lado ou do outro da montanha.

TMC: De acordo com a tua experiência, como é que, num mundo em constante mudança, podemos convidar as pessoas a olharem para dentro e a descobrirem a paz e a serenidade?

João: Um cálculo muito fácil de fazer diz-nos que passamos 1/3 da nossa vida a dormir. Mas desconfio que talvez seja ao contrário: talvez passemos 1/3 da vida acordados.

A verdade é que passamos demasiado tempo ‘adormecidos’ em distrações e entretenimentos de baixo nível, ‘adormecidos’ sem nos conhecermos realmente, ‘adormecidos’ em relações afetivamente pouco saudáveis, ‘adormecidos’ em ambientes emocionalmente rarefeitos, tóxicos, ressequidos; ‘adormecidos’ em projetos pouco relevantes para o florescimento da humanidade, a nossa e a das pessoas à nossa volta.

Quando passamos tanto tempo ‘adormecidos’, precisamos de ‘despertadores’! É nesse sentido que faço as reflexões na rádio, no Facebook, no blogue. É isso que faço nos workshops: “estou, sim? Bom dia, aqui serviço despertar!”. Ainda há pouco, alguém deixou este comentário na página Facebook: “Nada como um STOP (como este) para depois voltar a prosseguir viagem!”. É isso mesmo que pretendo: uma ‘wake up call’, uma chamada à consciência.

E o melhor de tudo, é que, se quero ajudar alguém, tenho de ser eu o primeiro a acordar!

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