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O João é coach, autor, inspirador, professor e… muitas outras coisas! Toca aqueles com que contacta com uma forma muito sua de convidar à paragem e à reflexão. E esta entrevista ao The Miracle Coach não é excepção. Que a sua leitura te permita fazer isso mesmo: ter uns minutos de reflexão, enquanto ficas a conhecer um pouco do João Delicado. Para saberes mais sobre o seu trabalho podes seguir o seu blogue Ver Para Além do Olhar, a sua página do facebook ou procurar o seu livro “Vale a Pena Pensar Nisso”.

TMC: João, o que é coaching para ti e de que formas utilizas o coaching nas tuas atividades?

João: O coaching, para mim, é pôr a criatividade ao serviço da vida. Eu sou um apaixonado por criatividade. Mas a criatividade desligada da vida não é criatividade, é só imaginação. Então vejo o coaching como a relação de acompanhamento em que, corajosamente, nos desafiamos a trazer os nossos sonhos à terra – para que ganhem raízes e se voltem a projetar para o céu, como os ramos das árvores. E isso exige, reclama, convoca o melhor de nós, o melhor dos nossos recursos internos, para sermos mais inteiros e mais capazes de atingir a melhor versão de nós mesmos.

Há quem sonhe dar a volta ao mundo, mergulhar até ao fundo do oceano, subir o Everest ou ir à lua. A mim isso não me diz nada se for só para fazer quilómetros por fora. Atrai-me muito se for para fazer quilómetros por dentro. Por isso o meu sonho, a minha vida, a minha energia tem sido direcionada para a exploração do mundo interior e para ajudar outros a fazer o mesmo.

Do contributo que o coaching trouxe para o meu trabalho, destacaria a sua dimensão prática que obriga a que sejamos concretos nos objetivos a alcançar e concretos a comprometer-nos com os meios necessários; e ainda a dimensão lúdica, que oferece flexibilidade e retira peso desnecessário ao processo. Einstein dizia que a criatividade é a inteligência a divertir-se! É nisso que o coaching tem inspirado a minha atividade profissional.

TMC: Estás envolvido numa série de projetos fascinantes, do workshop Wii ao Blogue Ver Para Além do Olhar ou ao livro Vale a Pena Pensar Nisto. O que têm em comum? E quais as suas particularidades?

João: A interioridade é o que congrega tudo o que eu faço. Tudo começou numa adolescência feita de imensa timidez e introversão. Nessa altura encontrei refúgio e descanso no mundo interior e nos meus diários, que me iniciaram no auto-conhecimento e no uso da preciosa ferramenta da escrita. Depois fiz caminho na religião e na espiritualidade, onde encontrei verdadeiros mestres que me abriram à transcendência e ao mundo da sabedoria. E, finalmente, cheguei ao fascinante território do desenvolvimento pessoal e do coaching. Em todo este caminho percebi que tudo isto encaixava e que podia dedicar cada minuto da minha vida a isto.

Quanto aos projetos em concreto: o blogue nasceu como uma continuidade natural dos meus diários da adolescência e juventude. Depois fui convidado para escrever para a Renascença e, depois, para a RFM. Já vou no sexto ano de colaboração, a escrever três textos por semana, o que dá… hmm.. é fazer as contas! O livro “Vale a pena pensar nisto” é um ‘best of’ dessas reflexões.

Há uns dois anos surpreendi-me ao constatar como este processo de maturação foi também tempo de gestação para um novo projeto que nasceu de parto natural: chamei-lhe Wii, ou seja, “Workshop de Introdução à Interioridade”. Entretanto já fiz oito edições e mais de cem pessoas passaram pela experiência. Houve frutos tão bons que tive de dar continuação a esse projeto e desenhei outro fim de semana, agora dedicado às Relações Humanas. E ainda um outro workshop, só para a Criatividade – para a salvar das garras da imaginação e trazê-la para o dia a dia.

TMC: Tiveste recentemente uma experiência com auxílio a refugiados que procuram entrar na Europa. Quais as principais aprendizagens?

João: Sim, estive na Sicília três semanas em voluntariado. Estava cansado das notícias e de me ver como parte do problema. Decidi ir conhecer aquelas pessoas, cara a cara.

A primeira coisa que aprendi, mesmo antes de partir, foi que o povo português tem uma generosidade tremenda: fiz um ‘friends-funding’ em que os donativos superaram em mais do dobro o dinheiro que precisava para suportar os gastos da experiência.

Depois, lá na Sicília, o mais importante foi a presença: estar com eles, brincar com eles, ouvir as suas histórias, receber a sua gratidão infinita por lhes salvarem a vida. É óbvio que eles são pessoas como nós. Outra coisa é experimentar isso na pele, em primeira mão: havia dois deles de quem me custou mais a despedir.

Guardo também uma surpresa, a puxar ao realismo, que foi sentir maiores dificuldades na relação com a equipa de voluntários do que com os refugiados. Uma verdadeira lição prática sobre relações humanas!

TMC: De que forma é que o Coaching e a Espiritualidade podem andar de mãos dadas, João?

 João: É uma ótima pergunta! Sinto-me um privilegiado porque faço ponte entre o melhor de dois mundos que, no fundo, vão dar ao mesmo objetivo: permitir a cada um atingir a sua melhor versão.

O Coaching e a Espiritualidade partem de lugares diferentes, mas sobem a mesma montanha. Então a vantagem que vejo é que posso combinar vocabulário, ferramentas e estratégias de um e do outro lado, e isso dá-me mais agilidade e mais capacidade de ajudar as pessoas, estejam de um lado ou do outro da montanha.

TMC: De acordo com a tua experiência, como é que, num mundo em constante mudança, podemos convidar as pessoas a olharem para dentro e a descobrirem a paz e a serenidade?

João: Um cálculo muito fácil de fazer diz-nos que passamos 1/3 da nossa vida a dormir. Mas desconfio que talvez seja ao contrário: talvez passemos 1/3 da vida acordados.

A verdade é que passamos demasiado tempo ‘adormecidos’ em distrações e entretenimentos de baixo nível, ‘adormecidos’ sem nos conhecermos realmente, ‘adormecidos’ em relações afetivamente pouco saudáveis, ‘adormecidos’ em ambientes emocionalmente rarefeitos, tóxicos, ressequidos; ‘adormecidos’ em projetos pouco relevantes para o florescimento da humanidade, a nossa e a das pessoas à nossa volta.

Quando passamos tanto tempo ‘adormecidos’, precisamos de ‘despertadores’! É nesse sentido que faço as reflexões na rádio, no Facebook, no blogue. É isso que faço nos workshops: “estou, sim? Bom dia, aqui serviço despertar!”. Ainda há pouco, alguém deixou este comentário na página Facebook: “Nada como um STOP (como este) para depois voltar a prosseguir viagem!”. É isso mesmo que pretendo: uma ‘wake up call’, uma chamada à consciência.

E o melhor de tudo, é que, se quero ajudar alguém, tenho de ser eu o primeiro a acordar!

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