Inês Moura

A Inês Moura é terapeuta de fala e coach. Com recurso a estas duas abordagens construiu uma forma única de ajudar pessoas a comunicarem com eficiência e a sentirem-se melhor consigo próprias. Como coach vocal facilita processos para que os seus clientes se encontrem, literal e metaforicamente, com a sua voz! Uma entrevista inspiradora e surpreendente!

Para saberes mais sobre a Inês e o seu trabalho, visita o seu website, a sua página do Linkedin e do Facebook.

 

TMC: Inês, criaste uma excelente fusão entre a terapia da fala e o coaching. Como pode o coaching suportar esta terapia?

Inês: O coaching, no meu ponto de vista, complementa a terapia da fala em duas vertentes. A primeira vertente é a transformação da relação terapêutica – o relacionamento entre o profissional e aquele(s) que procuram apoio num determinado período da sua vida (desde a infância até à idade adulta). Essa relação é tão ou mais importante do que as técnicas terapêuticas utilizadas. A flexibilidade dada pelo coaching em orientar a terapêutica ao futuro, de colocar o cliente num estado de maiores recursos interiores e de partilhar responsabilidades no processo terapêutico, torna-a uma abordagem potencialmente mais eficaz, principalmente com adultos que procuram a terapia da fala como uma forma de desenvolvimento pessoal e profissional.

A segunda vertente está relacionada com a natureza da avaliação inicial que procura explorar mais o Presente e o Futuro, do que o historial clínico. O desenrolar do plano de intervenção é também mais flexível quanto mais o cliente participa e decide o seu próprio caminho.

 

TMC: Como especialista na utilização da voz na comunicação, quais são as estratégias fundamentais que partilhas com os teus clientes?

Inês: Existem três estratégias que estão na base do processo de coaching vocal.

A primeira que utilizo é levar o cliente a uma introspeção sobre o funcionamento do seu corpo e das suas emoções. A questão a trabalhar pode ser fisiológica (ex. músculos da voz podem estar em fadiga), emocional (ex. sinto que não tenho voz na minha organização) ou uma combinação de ambos.

A segunda estratégia que mais utilizo é analisar os pontos fortes. Como muitas pessoas referem não gostar da sua voz, é fácil apontar os seus defeitos. Mas quando se aponta também o que já funciona, é um excelente ponto de partida para o cliente encontrar a sua marca vocal, e resta apenas reduzir o que está em desequilíbrio/excesso.

A terceira estratégia é aproveitar pequenos momentos do dia, tendo em conta as rotinas já existentes, como tomar banho, conduzir ou falar numa reunião, onde discretamente se pode colocar em prática exercícios vocais simples. O objetivo é a automatização de novos hábitos e, quando se dá conta, já é natural.

 

TMC: O que podemos fazer para transformar a nossa voz num aliado?

Inês: É muito importante lembrar que a nossa voz funciona como uma “intérprete” do que se passa connosco a vários níveis. Podemos torná-la num aliado quando a sabemos interpretar e escutar. O que significa ter a voz rouca já há muito tempo? O que significa estar sempre a gritar com o(a) companheiro(a)? O que significa ficar sem voz numa altura de stress? O que significa não conseguir transmitir energia à minha equipa? São tudo questões que transportam respostas muito válidas e, como tal, um problema de voz, raramente é só da voz. Saber ouvi-la é a chave.

 

TMC: Utilizam-se muitas expressões relacionadas com a voz, como “levantar a voz”, “falar a uma só voz”, “encontrar a nossa voz”. Afinal, qual é a real importância da voz na nossa vida mental e emocional?

Inês: A voz é um veículo direto de emoções e de significados na comunicação. Podemos dizer a frase “e então?” com pelo menos 23 emoções diferentes e cada uma delas transporta um significado. A voz acompanha-nos toda a vida. Aliás é o primeiro sinal de vida quando um bebé nasce. É através dos primeiros sons que comunicamos com os nossos pais, ainda antes de dizermos palavras. Os bebés acalmam-se a ouvir a voz da mãe (que já ouviam no útero). A voz é uma forma de arte, por exemplo no teatro e no canto. Há séculos que a concentração e meditação é feita através da voz (ex. mantras) e também é através da voz que nos afirmamos no mundo, deixamos a nossa marca no dia-a-dia, junto da nossa família, no nosso trabalho e em toda a parte onde nos conhecem.

 

TMC: Colaboras com uma importante agência de treino em comunicação. Quais são as mais habituais dificuldades que as pessoas têm quando se trata de comunicar com eficiência?

Inês: A maior dificuldade é a falta de variedade vocal. A maior parte dos líderes/CEO’s com quem trabalho referem, por exemplo, ter uma voz monocórdica, de falarem demasiado rápido ou de sentirem que são aborrecidos quando falam em público. Se a voz não estiver adequada ao contexto (ex. reuniões, apresentações, congressos, televisão) a mensagem global não é recebida e o mais provável é que a audiência se esqueça do que foi dito logo nos minutos seguintes. Isto leva a que desperdicem oportunidades de levar os outros à ação através da comunicação.

Outra dificuldade muito comum é a falta de projeção vocal e/ou esforço contínuo que leva a períodos de cansaço e desgaste, principalmente de quem usa a voz com elevada intensidade e frequência, como profissionais que fazem espetáculos semanais, orientam formações ou aulas.

 

TMC: O que observas que acontece, de uma forma geral, na vida dos teus clientes quando aprendem a comunicar melhor?

Inês: Sentem maior confiança em si próprios, maior assertividade na relação com o outro e maior serenidade com a sua própria forma de ser e de comunicar. Mais consciência de como gerir os fatores internos e externos que condicionam o desempenho da sua própria comunicação. Por último, um dos fatores que considero mais importantes é a melhoria do diálogo interno, ou seja, a forma como a pessoa se relaciona consigo mesma.

 

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