Pedro Rui Carvalho

O Pedro Rui Carvalho é um formador muito especial, que inspira as suas audiências a relacionarem-se com conceitos profundos e libertadores – tem espírito de missão e quer ajudar as pessoas a sonharem. Além disso, inspira diariamente a internet com o seu O Homem Que Sonha. Podes seguir o Pedro através da sua página na internet e do seu facebook, altamente recomendado!

 

TMC: Pedro, mais do que de formação, gostas de falar em (trans)formação? Afinal, o que é isso para ti?

Pedro: Para mim a (Trans)Formação é ir mais longe que a formação tipo, é ir mais longe que a partilha habitual em sala de conhecimento, de conceitos rígidos de igual forma para todos. Eu pessoalmente acredito que a (trans)formação pode ser uma excelente oportunidade para nos desafiarmos, para desafiarmos algumas das nossas crenças, para aprendermos, para melhoramos, para crescer, para trabalhar em áreas de reflexão diferentes e de acção pouco exploradas até esse momento por nós próprios. No fundo a minha intenção é que seja qual for o tema, seja ele Comunicação, Liderança ou Vendas, que ele toque a pessoa tendo em conta a sua identidade, os seus valores, o seu ritmo, os seus recursos, os seus objetivos e que isso possa funcionar como um novo conjunto de ferramentas que possam facilitar o seu caminho pessoal e profissional e não o complicar. No fundo, que seja de uma forma simples um momento, uma experiência transformadora para as pessoas que ali estão.

Para que isso aconteça eu próprio enquanto pessoa, enquanto profissional olho para cada pessoa, para cada grupo de formandos, para cada empresa como uma oportunidade para melhorar, como um desafio que me traga prazer, preenchimento e principalmente resultados, para todos os intervenientes. Aliás, gosto muito de fazer uso de uma máxima antes de iniciar qualquer (trans)formação, “ Que haja transformação, e que comece comigo.”

 

TMC: Com uma experiência tão ampla em ajudar pessoas em sala a pensarem sobre as suas vidas, como achas que se faz depois a transferência dessas aprendizagens para a vida fora da sala de formação?

Pedro: Esse é o grande desafio, acredito eu, para as pessoas! Costumo dizer que a (trans)formação começa verdadeiramente quando acaba a que está a acontecer em sala, onde o ambiente é de certa forma seguro e controlado, onde estamos perto de pessoas que querem o mesmo que cada um de nós, ou que já conseguirem o mesmo que nós e onde estamos focados numa comunicação e acções altamente possibilitadoras, por isso uma das primeiras sugestões que partilho é estarem atentos à sua comunicação interna, desenvolverem a capacidade de perceberem se a comunicação que tem consigo mesmos é eficiente ou deprimente, se os faz avançar ou ficar parados, se os faz ficar motivados ou desmotivados. Perceberem que resultados estão a obter com a sua comunicação interna e externa.

É quando regressamos à “nossa” realidade que acontece o verdadeiro desafio. Um dos primeiros desafios é desmontar a questão de esta (a realidade que nos rodeia) ter que ser realmente a minha realidade, se não, surge a pergunta: “ Isto é o que eu já conheço (a realidade que me rodeia), e Agora?”. Aqui costumo deixar alguma sugestões! Estabelecer novos objetivos de forma muito especifica e nas suas diferentes variáveis, que façam sentido para a pessoa, que dependam dela e pelos quais ela esteja verdadeiramente apaixonada e comprometida, identificar que recursos que tem ou que necessita adquirir face a esse objetivo, definir estratégias e planos de acção.

Depois perceber em que contexto os vai realizar, se é um contexto onde é apoiado, onde se sente inspirado ou o contrário, sugiro sempre às pessoas para estarem atentas ao seu grupo de influência e qual o impacto que este tem nelas próprias. Se tivesse que resumir tudo isto numa simples sugestão seria, sejam ousados e deem-se à experiência, pratiquem e os resultados aparecem. E lembrarem-se que a vida são os resultados não só dos nossos actos, mas também dos nossos pensamentos e principalmente da forma como gerimos esses mesmo resultados. Já me cruzei com pessoas para quem o fracasso foi um prémio e com outras pessoas para quem o sucesso se veio a revela um castigo. Sem uma boa gestão dos resultados que geramos por vezes torna-se desafiante gerir uma vida.

Uma dica que costumo partilha com as pessoas com quem tenho o privilégio de trabalhar é que, tão importante quanto a celebração de um resultado é importante a gestão do mesmo.

 

TMC: Há algum tempo que inspiras os teus seguidores no facebook com as mensagens d’O Homem Que Sonha. Quais as tuas intenções com este interessante projeto?

Pedro: A minha intenção é partilhar um pouco de quem eu sou, partilhar os meus estados (de espirito) o que eu faço, e o que eu quero obter para a minha vida, e com isso poder inspirar e contagiar outros. Prefiro mesmo que virtualmente inspirar a coragem, promover possibilidades aos que me leem a instigar ou reforçar os problemas deles. É muito importante para mim que os seguidores me vejam como uma pessoa normal, que tem desafios semelhantes a eles, poque na verdade tenho. Outra intenção é convidar os que me leem a acreditar mas também a duvidar, nem tudo tem que ser como dantes, nem o presente tem que ser para sempre e isso é tão importante quanto, inspirar e respirar somente o agora.

 

TMC: Achas que a maioria das pessoas reflete realmente sobre a sua vida? O que podemos fazer para estimular mais esse comportamento?

Pedro: Eu gostaria que sim! Pelas mais variadas razões , mas por uma em particular, quando refletimos temos a capacidade de nos olharmos ao espelho e isso pode ser duro mas muito transformador. Quando acedemos à auto reflexão, à auto responsabilidade, quando descobrimos que só nós somos responsáveis pelo nosso comportamento, quando nos reconciliamos connosco mesmo descobrimos que mais ninguém ou contexto tem o direito, a possibilidade de alterar o nosso comportamento, o nosso rumo.

Por norma existe uma certa resistência a esta reflexão interna, lidar somente connosco mesmo é sempre desafiante, não depender, não fazer uso de fatores externos convida-nos à auto responsabilização.

Para estimular esse comportamento talvez uma estratégia que considero bastante eficiente que pode passar pela consciência plena do agora:

1-O que está a acontecer na minha vida neste preciso momento e que resultados estou a obter com isso?

2- O que eu quero que aconteça, que resultados quero obter para a minha vida e o que quero senti quando conseguir isso?

3- O que tenho de fazer agora para que isso aconteça (ponto2)?

 

TMC: Que conceitos da (trans)formação que costumas trabalhar com adultos achas que poderiam passar a integrar os currículos escolares?

Pedro: A minha abordagem nas várias áreas da vida é e seria simples a integrar nos currículos escolares:

Conceito do Ser

Conceito do Fazer

Conceito do Obter

Numa sociedade que está focada no “fazer” para “ter” torna-se importante trabalhar o “Ser”. A minha experiência enquanto pessoa e (trans)formador e perante os desafios da sociedade atual diz –me que neste momento existe um desafio comum a todas as faixas etárias. “Quem eu quero Ser agora?”

Charles Evans Hughes dizia que, “ Quando se perde o direito de ser diferente, perdemos o privilégio de ser livre”. Este para mim é um conceito interessante que trabalho com adultos e fariam sentido trabalhar e desenvolver nos currículos escolares. Como posso ser autentico, diferente e ao mesmo tempo livre.

 

TMC: Quais são os sonhos atuais d’O Homem Que Sonha?

Pedro: Entre vários partilho os seguintes: uma viagem ao Japão, ser Life Coach profissional e desenvolver o programa/projeto COACHINGCARE vocacionado para cuidadores, de pessoas com a demência de Alzheimer ou outra.

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