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A Sandra Matos, fundadora da Escola Babyoga Portugal, é uma mulher que vale mesmo a pena conhecer! Falou com o The Miracle Coach e… bem, quem melhor do que a própria Sandra para se apresentar? Nas suas próprias palavras “sou uma mulher, que escolheu ser companheira, que escolheu ser mãe, que escolheu se despedir, que escolheu chorar, que escolheu rir, que escolheu errado, que escolheu certo, que escolhe porque questiona. Expresso a minha missão quando estou com crianças, famílias e, especialmente, quando estou com mulheres.

Fundei a Escola Babyoga Portugal em 2005 com o lema: gerando um novo mundo. A Escola Babyoga Portugal existe com esta missão. Está ao serviço dos bebés, das crianças, das famílias e das escolas. O trabalho que os professores de Babyoga e Playoga fazem é incrivelmente belo.

Adoro os momentos em que oriento as formações de professores. Faço-o desde 2007 e cada vez é única. Adoro abrir novos horizontes. Adoro que, juntos possamos questionar. Trazer outra consciência à nossa vida. É isto que me move”.

Lê e partilha a entrevista, pois vai servir de inspiração a muitos!

Podes saber mais sobre Babyoga aqui e também no facebook da Escola. E podes seguir a visão da Sandra através da sua página do Facebook!

TMC: Sandra, há alguns anos fizeste a transição de uma carreira numa multinacional para uma atividade completamente nova e autónoma, lançando o Babyoga em Portugal. Quais os maiores desafios de uma transição deste género?

Sandra: O meu maior desafio foi lidar com o meu medo interno de trocar o suposto “certo” pelo incerto. Na verdade, estive nesta dualidade durante algum tempo até que a dor em permanecer no “certo” se tornou insuportável e bem mais pesada do que avançar para o “incerto”. E descobri que tinha medo precisamente porque não avançava. Quando avancei e me despedi, senti-me livre e ao sentir-me livre ganhei espaço para fazer o que me apaixonava na altura: unir o mundo dos bebés à prática do Yoga. Fui ao E.U.A, estudei esta prática e quando regressei a minha intenção era partilhar o que aprendi com a minha filha e com quantas famílias conseguisse tocar. Quando a intenção e a oportunidade se encontram, tudo flui. E assim foi. Hoje a Escola Babyoga Portugal tem 10 anos de uma linda história de amor entre famílias.

 

TMC: De onde veio essa paixão pelo Babyoga e de que forma tem contribuído para melhorar a vida das famílias?

Sandra: A paixão pela prática de Yoga veio primeiro. Foi mais um amor à primeira vista. Senti a prática de Yoga no meu corpo e levou-me a lugares do meu coração que desconhecia. Quando fui mãe pela primeira vez passei por um período em que me senti muito cansada, na verdade exausta. Era tudo novo para mim. Não dormia, não comia de forma saudável. Afastei-me do que me fazia sentir bem e durante este tempo, a que eu chamo o ‘parto’ do pós-parto, procurava soluções fora de mim: métodos infalíveis para acalmar a minha bebé, formas de aliviar as cólicas, livros sobre como ajudar os bebés a dormirem bem, etc. Até que, olhei para mim, estava eu longe do meu centro à procura de quê? Então voltei para dentro. Concentrei-me novamente na minha prática pessoal, que funciona como uma higiene diária. Comecei a sentir que ao estar mais centrada criava momentos de verdadeira ligação e compreensão com a minha bebé. Comecei a perceber que quando praticava Yoga ao pé dela, eu acalmava-me e ela também. Comecei a experimentar alguns movimentos e meditações com a minha bebé e observava a rápida interacção e resposta de ambas. Tive a clara certeza que esta missão fazia parte do meu caminho. Partilhar esta prática com o maior número de famílias possível e juntos geramos um novo mundo. As famílias que praticam Babyoga e Playoga ganham tanto! Ganham cumplicidade, união, entendimento, crescimento, expansão, tranquilidade, amor!

 

TMC: Ultimamente tens partilhado muitas reflexões sobre o feminino. O que é que achas que as mulheres devem relembrar sobre a sua própria natureza?

Sandra: Devem relembrar que não somos iguais aos homens. Especialmente no ocidente onde tantas sociedades se consideram “evoluídas” temos mulheres a lutarem por serem as melhores mães, as melhores profissionais, as melhores companheiras, as melhores amigas, as melhores filhas e, sem se aperceberem a lutarem por ser igual aos homens, entretanto, esquecem-se da sua essência de ser mulher. São mulheres e agem como homens. E, particularmente as mães facilmente entram neste esquema da sociedade. Quanto mais se afastam da sua essência de mulher mais se sentem esgotadas, sobrecarregadas, perdidas. No meu caminho, ser mãe foi um poderoso abanão que me fez perceber o quanto eu tenho que regressar a mim mesma. Ser mulher, conhecer-me, conhecer os meus ciclos, a minha natureza, resgatar esta conexão ancestral do poder do feminino. Neste caminho, tornar-me a melhor mãe, companheira, amiga, filha é uma consequência natural. Todas as mães devem relembrar-se que são mulheres.

 

TMC: Imagino que tenhas muitas famílias que te procuram porque acham que os seus filhos têm algum problema e por isso necessitam de yoga ou outra atividade do género. Afinal, onde está verdadeiramente o problema?

Sandra: Penso que o problema assenta numa série de variáveis, mas sabes o maravilhoso? Acredito que a solução está dentro da família e em primeira instância dentro de cada um de nós, pais e mães. Muitas vezes os pais sentem-se encurralados perante esta encruzilhada de expectativas e exigências da sociedade sobre os filhos, a escola, a parentalidade e a educação. Por vezes não é fácil descortinar o que verdadeiramente sentimos que queremos fazer e assumir essa responsabilidade. Na prática de Babyoga, muitas mães inscrevem-se porque querem que os seus bebés durmam melhor ou deixem de ter cólicas ou ainda porque fazem muitas ‘birras’. No Playoga, a maioria dos pais procuram esta atividade porque os filhos têm hiperactividade ou défice de atenção ou são nervosos e ansiosos e por aí vai. A beleza desta prática de Babyoga e Playoga é que trabalhamos em família e por consequência crescemos em família. Os pais ficam mais calmos, os seus filhos também. Acredito que se queremos ajudar os nossos filhos, o primeiro trabalho a fazer é dentro de nós próprios.

 

TMC: Depois de alguns anos a trilhar um caminho menos convencional em família, quais as grandes aprendizagens que gostarias de partilhar com todos aqueles que vivem limitados pelo “tem de ser assim” e “gostava mas não pode ser”?

Sandra: Sempre que sinto a mais pequena dúvida sobre algo, não ignoro. Questiono. E questionar abre novas possibilidades. Para ti e para o outro. Quero aqui partilhar contigo que questionar torna-me melhor, torna-me mais humana. Seguir o meu coração! Parece um cliché, eu sei, e quando o fazes é libertador. Tenho aprendido que a coragem de seguir o coração se ganha quando praticas a coragem. A coragem de decidires por ti. De aceitares que podes escolher a forma como vives a tua vida, como nascem os teus filhos, como vives a tua família, como te reconheces enquanto ser humano e, no meu caso, enquanto mulher. Tudo vem dar aqui. Ao ponto de começo e fim.

 

Grata por esta entrevista!

 

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