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The Miracle Coach entrevistou a Teresa Faria e descobriu que para trás ficou a formação em Teatro pela Escola Superior de Teatro e Cinema (Conservatório Nacional) e a vida de empresária no ramo da Decoração de Interiores. Em 2012, surgiu a vontade de melhor compreender a experiência humana e começou a desenhar o caminho que a traria até hoje. A Teresa acredita que a riqueza e diversidade das suas próprias experiências e as aprendizagens feitas são a sua grande mais-valia, são elas que lhe permitem hoje um entendimento profundo do outro e dos seus processos.

TMC – Teresa, como descreves os processos de desenvolvimento pessoal que facilitas?

Chamei-lhe Desenvolvimento Consciente.

São sessões de autoconhecimento que potenciam a transformação pessoal a partir da escolha de ampliar a consciência e fazer diferente.

Aliando a Espiritualidade e o Desenvolvimento Pessoal, a intenção é gerar empoderamento e autonomia através de uma abordagem holística que tem por base educar para a observação e o (auto-)questionamento, facilitando o conhecimento, o entendimento e a integração de todas as partes do ser humano: corpo, mente e espírito – me, myself & I.

Carl Jung dizia que todos temos um outro eu que desconhecemos.

Eu acredito na nossa multidimensionalidade – que há, na verdade, muitos eus que desconhecemos – e a minha proposta é que os conheçamos (ou, na verdade, nos lembremos deles) e aprendamos a lidar com todos eles, percebendo quais os que melhor nos servem a cada momento e como estimular uns e apaziguar outros, responsabilizando-nos por aquilo que depende de nós, aceitando o que nos transcende.

No fundo é apenas isto: facilito o reencontro do outro consigo mesmo, em momentos de entrega, conexão e empatia, livres de julgamento ou imposições.

As respostas, os novos caminhos e formas de caminhar resultam desse reencontro.

Costumo dizer que sou como um compasso. Por si só ele não faz nada. Quem escolhe trabalhar com ele abre-se ao novo manancial de potencialidades que ele oferece, sabendo que é seu o poder criativo e está nas suas mãos fazer um pequeno círculo, um grande, vários, ou uma obra de arte.

 

TMC – As pessoas necessitam mesmo do desenvolvimento pessoal? Ou podem ser felizes sem descobrirem mais sobre si próprias?

 

As pessoas podem ser felizes por tudo, por nada, com tudo, com nada, apesar de tudo ou graças a nada. A felicidade não está na forma nem tem fórmula.

Não creio que o desenvolvimento pessoal seja pré-requisito nem garantia para a felicidade, assim como ser iletrado ou doutorado não garante a felicidade ou infelicidade. É uma via possível para quem sinta essa necessidade ou curiosidade de aprofundar as suas descobertas e sim, pode também conduzir à descoberta da felicidade.

Eu senti esse apelo num momento de profunda insatisfação com a minha vida, e a escolha de viver de forma consciente levou-me à descoberta de algo que, para mim, suplanta a felicidade: a paz.

Não tenho uma vida perfeita, sem desafios, contrariedades ou momentos dolorosos, não estou sempre feliz. Estou quase sempre (sublinho o quase) em paz com aquilo que estou e aquilo que está. Estou quase sempre bem comigo, mesmo quando estou mal com alguma parte de mim ou da minha vida.

Este é o melhor testemunho que posso deixar a quem está a considerar experimentar este caminho.

 

TMC  – Quais as principais aprendizagens que fizeste desde que começaste a trabalhar profissionalmente nesta área?

 

Tenho o vício de retirar aprendizagem de quase tudo na minha vida.

Curiosamente, mais do que fazer aprendizagens novas, este tem sido um tempo de validação, consolidação e prática das aprendizagens que tenho vindo a fazer nos últimos anos. O walk the talk.

Fazendo um apanhado das mais impactantes, que se reflectem transversalmente na vertente de facilitadora, empreendedora, e na minha vida pessoal:

A importância de viver o processo e não viver para o resultado, estando presente, usufruindo e confiando.

Somos de facto todos iguais apesar das diferenças, e atraímo-nos por sintonia vibracional – como tenho tido a oportunidade de verificar com cada pessoa que se senta à minha frente com os seus desafios ao cólo – frequentemente espelhos dos meus.

O controlo é uma valente ilusão, assim como o é, paradoxalmente, a impotência. Por mais criativa que seja não tenho como imaginar “o melhor possível” nem “o pior possível”. Não tenho como entender sempre tudo o que acontece. Tudo é impermanente e tudo tem a sua razão de ser.

“O que for, quando for, é que será o que é.” (Alberto Caeiro)

 

TMC – O que impede, tipicamente, as pessoas de se relacionarem mais positivamente com a vida?

 

Acredito que será o desconhecimento/esquecimento dos tais múltiplos eus e da sua unicidade, o que acarreta duas consequências: sentimo-nos incompletos, partindo numa busca vã por algo ou alguém que nos complete, e assumimos a identidade do único eu que consegue fazer-se ouvir, tornando-se rapidamente numa espécie de personal bully.

Um pequeno tirano que se esconde no inconsciente ou se apresenta sob a forma de pensamento e que nos manipula, aliciando-nos com a promessa de uma felicidade que chegará quando e se satisfizermos uma lista de requisitos – pessoais, familiares, profissionais, sociais, materiais – impossível de alcançar, já que ela vai sendo alterada e incrementada ao longo dos anos.

E assim nos mantemos inconscientemente reféns de nós mesmos, sentindo-nos insuficientes, esforçando-nos cada vez mais para chegar à tão desejada completude, cada vez mais exaustos e frustrados, como o hamster na roda que anda e anda e nunca sai do mesmo sítio.

É preciso recuperar as rédeas, convidar os outros eus a entrar no jogo para destronarmos amorosamente o bully e nos voltarmos a sentir completos.

Um relacionamento mais positivo com a vida passa por se ser inteiro – e todos o somos, só precisamos de o tornar consciente.

 

TMC  – Uns dizem que o mundo está cada vez pior e condenado, outros que está cada vez melhor e mais consciente. E tu, Teresa, que nos dizes sobre o mundo?

 

Digo que o mundo está no seu processo evolutivo e que uns e outros me parecem certos. Olhando à luz da Dialética do Progresso faz-me todo o sentido esta dualidade: quanto mais evoluídos, maiores os desafios – sendo que inevitavelmente uns se focarão mais na evolução e outros nos desafios.

Einstein disse-nos que um problema não pode ser resolvido pelo mesmo nível de consciência que o criou, apenas por um nível superior. Talvez a evolução do Homem seja isto: criar problemas para os resolver, estimulando assim a evolução da consciência. Historicamente, é o que temos vindo a fazer.

Acredito que vivemos um momento de transição da consciência colectiva que trará mudanças significativas para a humanidade, num futuro próximo (na escala temporal da humanidade, entenda-se).

 

Esta é uma época fascinante, quando se consegue olhar para lá do caos.

O Mundo está como aquele espaço em que vamos acumulando coisas que em tempos fizeram sentido, e um dia resolvemos tirar tudo para fora para selecionar e arrumar: instala-se o caos e a desordem.

Se nos deixamos assustar pela desordem à nossa volta… naturalmente desesperamos. Mas se conseguirmos ver esse momento como uma etapa temporária do processo, confiando na nossa capacidade de gerar um resultado diferente, melhor, então ele ganha propósito e arrumar torna-se uma alegria, ainda que possa haver momentos de cansaço ou frustração pelo meio.

Talvez seja um processo mais demorado do que gostaríamos. A boa nova é que nunca antes houve tanta gente determinada a contribuir para a arrumação, e da melhor forma possível: arrumando a sua parte e tornando consciente (e, consequentemente, diminuindo) as “tralhas” que ainda vai juntando ao monte também.

O mundo está em fase de arrumação. E eu pessoalmente estou a adorar a experiência de viver nesta época paradoxal e algo alucinante, em que o mundo está cada vez pior e cada vez melhor.

Teresa Faria

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